quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

No fim, em fim

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Hoje acordei e me vi em fim. Fim de trajeto, fim de história. Finalmente entendi que essa jornada cega só tem algum sentido quando guiada pelo coração. Vi que sou capaz de aprender até mesmo com quem recusa-se a ensinar. Percebi que cada cicatriz é, na verdade, uma linha a mais no meu livro da vida. Não ando mais vertendo lágrimas, mas se tiver que chorar, será sem vergonha do que sinto. E que todas as dificuldades sejam encaradas como um amigo contando uma história. Enchi minha mochila só com os melhores sentimentos e parti. Me vi em fim e finalmente pude fazer o que mais gosto: recomeçar.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Quando a vida acontece

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Dizem que não é impossível ser feliz depois que se cresce, só é mais difícil. Bem, dificuldade não é exatamente a palavra mais adequada para definir. “Árduo” talvez se aproxime mais. “Doloroso”, quem sabe? Crescer é mais ou menos assim: um dia você não almoça porque preferiu ficar jogando vídeo game com os amigos e no outro você está preso no trabalho numa reunião com o cliente e não tem uma balinha sequer pra tapear o estômago.

Crescer é assim mesmo, no susto. Um dia sua maior preocupação são as notas do boletim e no outro não param de chegar contas no seu nome. Contas e mais contas. De uma hora para outra o que era engraçado é substituído pela obrigação. E obrigações sufocam. E aí naquele dia em que seu chefe tira pra te perturbar, cobrar o prazo do projeto, reclamar do layout ou falar que o seu café não está bom, é nesse dia que você começa a sentir falta dos professores que cobravam o dever de casa. E quando você percebe que seus colegas de trabalho querem, na verdade, pisar na sua cabeça, é aí que você começa a sentir falta, por exemplo, daquela garota da sua sala meio metida que não ia com a sua cara. Você sente falta do colégio, da faculdade, das farras. Lembra de como você reclamava do uniforme de escola? Pois é, hoje você acorda meia hora antes e fica com o cérebro fritando de manhã para escolher a melhor roupa para trabalhar. Você passa dias insatisfeito com alguma coisa e sente falta daquele amigo que só de olhar pra você sabia que algo não estava certo.

E por falar em amigos, você vai sentir falta deles também. O tempo é cruel e a distância não é misericordiosa. Quanto mais o tempo passar, maior será o esforço que você terá que fazer para manter as amizades. Se esforce. Em alguns momentos da vida eles foram tudo o que você tinha e futuramente podem ser tudo o que você irá precisar. Mas, no meio disso tudo, o que você mais tem que tomar cuidado é com você mesmo. Não se deixe transformar naquilo que você sempre detestou. Não traia seus princípios, não magoe quem você ama, coma seus legumes e se exercite mais. Ah, esqueci de falar pra você acreditar em Papai Noel também. É lógico que isso tudo vai dar errado. Você magoar quem te ama, trair seus princípios e legumes e exercício são quase utopia. Crescer é assim: dói, sangra, rasga e lateja, mas se você permanecer no seu caminho, não há o que temer.

E não esqueça: vai doer, mas “não é o coração que dói, é a cabeça que pensa demais”

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Construção

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Tô me reconstruindo, me remoldando. Tô catando cada pedacinho de mim e juntando pra fazer o meu inteiro, recolhendo cada caco de sonho estilhaçado e fazendo um mosaico de esperança e luz, cor e som, onde tudo pode ser do jeito que eu quiser, como eu quiser.

Cansei de varrer pra debaixo do tapete todos aqueles problemas intermináveis. Acordei numa manhã de domingo e o médico ordenou:

“Pare de varrer tudo para debaixo do tapete! Isso faz mal, não é saudável. Junta tudo e joga ao vento teus problemas, depois disso toma vitamina C e decerto há de passar”.

Tô juntando cada gota de chuva e construindo meu mar, assim, de mansinho. Não quero o que eu era, aquilo também não era inteiro. Quero me moldar entre pedaços de estrelas, estilhaços de desejos e um punhado de esperanças. Tô me reformando, tô subindo as paredes do meu castelo novamente e dando nova cara aos cômodos. Agora ele não terá muros, terá grandes e espaçosas pontes. Não quero mais separar, quero unir. Cansei de dividir lágrimas, quero multiplicar gargalhadas daquelas de doer a barriga.

As unhas, antes longas e vermelhas, agora por um bom tempo ficarão curtas e cruas. Essa cara que já não é minha vou levando até voltar a ser eu (será que algum dia já fui eu?). Meus pés que ainda vacilam porque ainda não sabem para onde devem ir, agora passam um tempo descalços ao sabor da terra. 

Ando escolhendo outras músicas, outros gostos e dos gostos pela vida. Tenho mudado palavras de melancolia por frases de amor porque, no final, o amor é a única coisa que importa, nem que seja por si mesmo. Tenho trocado de bocas e de corpos porque ainda não sei em quem me encaixo, daí vou me colando, espremendo e juntando até encontrar e ouvir o click. Tenho querido outras coisas, outras pessoas, outras vidas e das vidas quero extrair mais vida e propagar a vida até que a minha própria se finde.

Quero o amor, quero o mar, o além mar, mas tô só me reconstruindo, devagarzinho, assim, sem pressa. E um dia, um dia eu voltarei a ser eu, em virtude e plenitude, sem limitação. Mas por enquanto, por enquanto ainda é um tijolo de cada vez.