Eu tenho um trato
coisa simples, porém nobre.
Disse para a vida não ir muito pesada
enquanto eu vou pisando de mansinho.
Não quero ouro, prata ou estandarte,
não quero nada além de um fim de tarde.
Castelo de areia, brinquedos, princesa.
Uma rede para descansar e um sol gostoso para me bronzear.
Meu acordo é tratado
e tratado não é fingido,
mas ouça bem uma coisa
porque de sentimento eu não minto.
Largo tudo: rede, brinquedo, areia
mas só se for para viver contigo.
Quebra o trato, foge à regra, vem ser bandido comigo.
E deixa eu abrigar meu amor na longa curva do teu sorriso.
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domingo, 30 de junho de 2013
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Love me
Escrito originalmente no dia 02 de setembro de 2012, às 04:03 da manhã.
Me
ame uma, duas, três vezes.
Me ame às quatro da manhã e às duas da tarde com o mesmo ardor.
Me ame até suar, me ame até desidratar.
Me ame forte, veloz ou suave.
Ame mesmo me odiando, só pelo costume de amar; e quando você enjoar, me ame até
o pôr do sol ou o nascer do outro dia.
Me ame até faltar amor, me ame até eu não precisar de amor, me ame porque eu
sei que a sua vocação é amar.
Me ame até ralar, até sangrar, até gozar.
Goze comigo, ame comigo, seja comigo.
Me ame além de um amigo, até a voz falhar, o coração parar, até tudo na vida acabar.
Me ame cinco, vinte e cinco, quinhentos e vinte e cinco vezes e só então me ame
mais e mais, porque é aí que eu vou precisar.
Me ame, me ame até eu acreditar.
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sábado, 17 de novembro de 2012
1011 palavras de adeus
"And the hardest part was letting go not taking part, was the hardest part..."
The Hardest Part - Coldplay
Querido, eu preciso te contar uma
coisa. E é dessas coisas que a gente fala com um nó atado na garganta e com o
coração em desalinho. Amor é coisa séria, por isso preciso te dizer. Porque
nada pode ser mais leviano do que ser vil com o sentimento alheio.
Sabe, pra começar eu nem sei por
onde começar – porque eu não sei como sinto. E como se explica milhares de
coisas inexplicáveis? Sorrir é um verbo que só aprendi a conjugar depois de
olhar nos teus olhos. Não há adjetivo ou substantivo que possa se igualar. É falta
de léxico.
Falta de prumo, falta de rima,
milhares de incertezas. Você me ensinou tanta coisa que fico sem jeito de não
saber agradecer. Mais do que coisas, você me ensinou sobre mim. Estranha essa
minha mania de dormir meio torta, né? Ou de beber água no gargalo da garrafa.
Ou essa coisa de sempre ter uma sacada ácida. E você nem liga. Tem gente que
não entende sarcasmo, mas você não liga. Eu faço pra provocar mesmo e, porra,
você não dá a mínima! Acabei me tornando agridoce.
Aprendi a baixar a bola. A ver
que o mundo não está contra mim. Pelo contrário, ele tá até torcendo um
pouquinho por mim. Talvez tenha ficado cansado de ver eu me foder – ou só
ficado com pena, quem vai saber? Aprendi responsabilidades que nenhum garoto
poderia me ensinar. Até porque isso é coisa de homem, não de menino. Homem
daqueles que não precisa fazer joguinhos fingindo que vai desaparecer, só pra
te deixar insegura. Até porque insegurança mulher tem de sobra. Homem de
verdade não precisa fazer essas coisas. Eles aparecem quando querem e vão
embora quando precisam. Não há regras porque não há jogos. É verdadeiro, mesmo
que seja no reino da fantasia.
E hoje eu tô aqui sentindo o seu
cheiro na minha cama tentando entender como ele foi parar ali. Ele deve ter
pulado em mim no meio daquele último beijo na cozinha, pegou uma carona do meu
ombro e agora repousa no meu travesseiro. Saudades daquele beijo meio roubado,
meio cedido. Saudades da sua barba de final de semana que só me visita domingo
à noite, porque toda a segunda ela se despede e deixa em mim uma daquelas
vontades inconfessáveis.
E quer saber? Metade dos meus
sentimentos por você são inconfessáveis e a outra metade inafiançáveis. Deveria
ser ilegal despertar tanta paixão. Se isso fosse amor, seria considerado imoral.
Mas pro amor falta só um pulo e eu fico aqui dando passos pra trás quando
deveria me jogar para frente. Ai já não dá.
Você entrou em terreno proibido e
eu nem sei como conseguiu a chave dessa masmorra. O que eu quero mostrar é
exatamente essa bagunça que eu sou e que você virou parte um pouquinho. O que
eu quero é que você entenda que a culpa é minha, não sua. Porque quando eu
precisei de espaço, você me deu o céu e, mesmo sem saber pra onde ir, eu sei
que você saberia me guiar.
Mas o problema de verdade é tudo
o que está desarrumado. E aqui dentro é um caos, talvez já tenha dado pra
perceber. Tem dias que não tem lugar nem pra mim mesma. Tenho que ficar
brigando com todos os meus pedaços para que o meu inteiro tenha um espacinho. E
nossa, acho que nem lembro mais como é ser inteiro. Por inteiro.
Você sabe que eu nunca quis te
magoar, né? Já engoli meu orgulho uma vez e talvez por você eu pudesse fazer de
novo. Só por você. Só mais uma vez. O problema é tudo o que a gente joga pra
debaixo do tapete achando que nunca teremos visita em casa. E aí do nada
aparece alguém que entra pela janela e já senta colocando os pés no sofá. Não
dá.
O problema é tentar curar fratura
exposta com band-aid. Ferida não sara sem remédio. E eu nem sei ainda qual é a
minha cura, mas tô disposta a descobrir. Só que isso vai ser uma viagem longa,
mais louca do que tomar ácido. Na verdade vai ser como jogar ácido no peito. E puts,
vai doer. Talvez eu ache que não vá suportar, mas vai ser pela última vez. TEM
que ser pela última vez. Sabe, já passou da hora de expurgar isso. Catarse pra
mim é estado de espírito, mas até os fantasmas merecem descansar.
O caminho será longo e eu não
posso pedir que você venha comigo. Na verdade é exatamente o contrário. Tô
pedindo que você desça e troque o rumo da estrada. E por Deus, nunca pedi algo
tão sério assim! Eu sei que isso vai fazer doer ainda mais, mas eu sou assim
mesmo. Preciso fugir pra me remendar. Tem tanta vida vazando que parece uma
inundação. E sou eu que estou indo embora escorrendo pelo meus próprios dedos.
Promete que não vai me odiar?
Espero que nenhuma parte do seu corpo sinta raiva de mim, principalmente
aquelas que eu mais amo. Guarda aquela camisa sua que eu gosto e acabou ficando
com o meu cheiro. Não pinta as paredes do seu quarto de gelo. Gelo nem é uma
cor, é um estado físico da matéria. Deixa assim do jeito que tá, combina com
seu sorriso meio inocente, meio sacana. Se der saudade de verdade, dessas que
aperta o peito, coloca aquela música do Debussy e ouve comendo sorvete de
flocos com cobertura de morango. Você vai ficar bem, querido. Eu prometo. Agora
eu tenho que ir. Me desculpa por tudo, mas meu peito é de aço e em alguma parte
do caminho desaprendeu a amar. Seu amor aqui viveria em cativeiro, então
prefiro deixá-lo livre.
Mas respondendo sua pergunta:
talvez eu pudesse te amar, mas preciso suturar meu coração primeiro. Talvez eu
já te ame, mas isso eu nunca vou saber. Acho que o aço do meu peito tá
enferrujando. O que tem aqui por baixo é mais do que eu. E será sempre um
pouquinho seu.
Beijos,
S.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Do lado de dentro
Quando falo de amor, não falo da boca pra fora, falo do coração pra dentro, e de tão dentro parece que nasceu em mim. O amor que só quem ama pode sentir, o sentimento que só quem vive pode experimentar. Porque viver, essa coisa complicada que dá nó em nossas cabeças, é bem fácil quando visto pelos olhos do coração. Porque o sentir é mais do que dizer, fazer ou chorar. É a dor que não se sente, ausente enfim. É o ardor que queima, arde e lampeja, bem assim. É frio, é sol, é poesia. É dizer além disso ou de uma mera poesia. É correr sem asas, voar sem chão, molhar a alma e chorar de emoção, pois nada tenho de tão intenso ao contento do meu coração.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Pretérito
Eu estive confrontando o fim, mas no fim não achei nada daquilo que todo mundo falava. Não achei nem quente, nem frio. Achei morno. Aquele calor de quando se está quase lá, mas ainda não se chegou a parte alguma. Esse deveria ser o melhor dos lugares, uma ponte entre o passado e o futuro, o Campos Elísios dentro do submundo que o teu coração se tornou. E não só o teu. Todos os corações se apagam vez ou outra. Essa é uma das graças da vida. Andar na rua dá a sensação de que todos os dias é Natal. Todo mundo passeando com seus corações ora incandescentes, ora opacos. E a vida ganha um pouco mais de cor e sombra.
Agora estou aqui, frente a frente com o fim e não sei o que dizer a ele. Não o vejo mau, o vejo como uma porta, como tantas outras portas que vão dar em algum lugar desconhecido. Seria normal, até bonito, se não doesse - mas se não doesse, não seria normal. Porque não é normal abrirem teu peito e arrancarem teu coração fora sem dor. Não é normal a apatia do papel pardo amassado jogado num canto do quarto escuro e vazio de alma.
Só sei que estou aqui, olhando para essa porta como quem atira uma taça na parede e, inutilmente, tenta parar o tempo até o instante em que ela estava inteira. Cada dia meu coração será apenas parte de um todo que nunca voltará a ser inteiro, porque ele tinha você e hoje só restou saudade. De você, de mim, de nós. Era.
Das coisas que não entendo: Dia dos Namorados
Passar o dia dos namorados
sozinho sempre te dá a oportunidade de observar a situação sob um novo ângulo.
Não, não é da situação da sua vida que eu to falando, todo mundo sabe que você
é encalhado. Tô falando do mundo em geral.
Vocês falam que comemoram o amor, eu vejo milhares de pessoas gastando seu tempo e fazendo a economia funcionar. Ainda falta muito para que possamos sentir o Amor, comemorá-lo é quase utopia. O que falta (e falta mesmo) é amor no mundo. Falta alma nas pessoas.
Dia 12 de junho, desde que o
mundo é mundo, é sempre um mar de breguices, cafonices, fofices e similares.
Parece que toda a força do cosmos está empenhada única e exclusivamente em
descobrir a forma mais démodé de demonstrar seu amor.
Nunca fui muito de comemorar datas especiais. Nada contra, acho legal quem faz, mas esse tipo de coisa não é pra mim. Acho forçado dar um presente pra alguém só porque é uma data especial. Eu compro presentes e distribuo de forma aleatória (geralmente depende do meu humor rs), qualquer dia, qualquer hora, pelo simples prazer de ver um sorriso em retribuição. Eu gosto, fico feliz quando dou um presente, mas odeio que transformem meus prazeres em obrigações. Aí não dá, o tesão da coisa acaba.
Nunca fui muito de comemorar datas especiais. Nada contra, acho legal quem faz, mas esse tipo de coisa não é pra mim. Acho forçado dar um presente pra alguém só porque é uma data especial. Eu compro presentes e distribuo de forma aleatória (geralmente depende do meu humor rs), qualquer dia, qualquer hora, pelo simples prazer de ver um sorriso em retribuição. Eu gosto, fico feliz quando dou um presente, mas odeio que transformem meus prazeres em obrigações. Aí não dá, o tesão da coisa acaba.
Mas pera lá, calma! Acho legal
ter um dia especial pra cada coisa. A vida é tão corrida que tem vezes que nem
nos damos conta de quem está ao nosso lado. É legal ouvir/ver/ganhar coisas bregas,
cafonas, fofas ou similares. Eu gosto, você gosta. O mundo é brega, não adianta
negar. O que me incomoda de verdade é ver tanto “amor” ser demonstrado em um único
dia e nos outros 364 essas mesmas pessoas agem como cretinas-filhas-da-puta.
Se é pra comemorar o amor, porque
não fazê-lo durante o ano inteiro? Ou metade? Ou pelo menos uma semana (risos)?
CADÊ COERÊNCIA NA VIDA? Por que a gente (e nisso eu me incluo) se esforça tanto
por uma data visivelmente comercial e esquece, por exemplo, de dar bom dia ao
cara da portaria? Educação também é amor! Por que os shoppings ficam cheios, os
restaurantes lotados e os camelôs faturam vendendo ursinhos de pelúcia se, no
próximo fim de semana, um estará mentindo pro outro só pra poder ir “pra night
catar geral”? Pra quê todo esse estardalhaço se achamos normal uma criança
pedir dinheiro no sinal? Qual o sentido de celebrar o amor se continuamos
insensíveis perante o sofrimento alheio?
Vocês falam que comemoram o amor, eu vejo milhares de pessoas gastando seu tempo e fazendo a economia funcionar. Ainda falta muito para que possamos sentir o Amor, comemorá-lo é quase utopia. O que falta (e falta mesmo) é amor no mundo. Falta alma nas pessoas.
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Todas as estrelas do céu
Será que as estrelas são iguais em todos os céus?
Será que o luar daqui é igual ao luar de lá?
Se eu fizer um pedido para uma estrela cadente,
será que ele vai chegar?
Não sei onde você está,
mas tenho certeza que você pode me ouvir cantar.
E depois de todos os defeitos,
será que esse laço foi desfeito?
Não entendo,
mas sei que todos os meus erros foram perfeitos.
Um dia, talvez.
Quem sabe há um meio de fazer você perder o receio?
Toda noite eu olho esse luar, abro o peito e o meu chão desaba.
A lágrima cai, mas não dói, só aumenta.
Se esse chão é de concreto,
minhas nuvens são de papel.
E meu amor é infinito
como todas as estrelas do céu.
Será que o luar daqui é igual ao luar de lá?
Se eu fizer um pedido para uma estrela cadente,
será que ele vai chegar?
Não sei onde você está,
mas tenho certeza que você pode me ouvir cantar.
E depois de todos os defeitos,
será que esse laço foi desfeito?
Não entendo,
mas sei que todos os meus erros foram perfeitos.
Um dia, talvez.
Quem sabe há um meio de fazer você perder o receio?
Toda noite eu olho esse luar, abro o peito e o meu chão desaba.
A lágrima cai, mas não dói, só aumenta.
Se esse chão é de concreto,
minhas nuvens são de papel.
E meu amor é infinito
como todas as estrelas do céu.
Starry night over the Rhone (1888) – Vincent van Gogh
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Das coisas que não entendo: buquê de flores
Tá, tem muita coisa estranha por esse mundo afora e eu não entendo a
maioria delas, mas essa é especial. Calma, segurem as pedras
por enquanto e vamos lá para o meu ponto de vista torto da história.
Você, mulher linda e bem resolvida, romântica e prestes e se
casar com o homem da sua vida leu esse título e pensou “WHATAHELL?!?” (e
você que tá encalhada também, que eu sei). Sim, não entendo o
significado do buquê/bouquet de flores. Tanto não entendo que não sei
nem qual das duas formas de escrita está correta (pela googlada que eu
dei parece que ambas estão corretas, mas vai que…). Quer dizer, entendo
sim, rosas são românticas, simbolizam a paixão e blábláblá Whiskas
Sachê, aí o cara querendo agradar leva um caminhão de flores e deixa a
garota morrer soterrada debaixo de tanto mato. Sim, porque juntou um
bando de planta pra mim virou mato. Tá, eu não sou romântica e talvez
nunca tenha encontrado alguém que me faça acreditar nisso, mas qual o
intuito de encher a pobre da garota com um chumaço de mato com um cheiro
estranho embrulhado naquele papel barulhento? Tá querendo dizer o quê? Que ela precisa beber água senão vai
murchar? “Não! Ele quer dizer que a minha beleza não se compara à de
todas as flores do mundo! S2″. Avá! E você acredita mesmo nisso? Tsc,
tsc, tsc.
Sabe no que eu vejo sentido? Em uma flor. Uma rosa, uma orquídia, um girassol. Uma flor, aquela escolhida com todo cuidado, assim como ele fez com você. A
única, the only one, nisso sim eu acredito. Vai lá, Brasil, agora tá
liberado, podem tacar as pedras, sou um caso perdido mesmo (rs).
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Construção
Tô me reconstruindo, me remoldando. Tô catando cada pedacinho de mim e juntando pra fazer o meu inteiro, recolhendo cada caco de sonho estilhaçado e fazendo um mosaico de esperança e luz, cor e som, onde tudo pode ser do jeito que eu quiser, como eu quiser.
Cansei de varrer pra debaixo do tapete todos aqueles problemas intermináveis. Acordei numa manhã de domingo e o médico ordenou:
“Pare de varrer tudo para debaixo do tapete! Isso faz mal, não é saudável. Junta tudo e joga ao vento teus problemas, depois disso toma vitamina C e decerto há de passar”.
“Pare de varrer tudo para debaixo do tapete! Isso faz mal, não é saudável. Junta tudo e joga ao vento teus problemas, depois disso toma vitamina C e decerto há de passar”.
Tô juntando cada gota de chuva e construindo meu mar, assim, de mansinho. Não quero o que eu era, aquilo também não era inteiro. Quero me moldar entre pedaços de estrelas, estilhaços de desejos e um punhado de esperanças. Tô me reformando, tô subindo as paredes do meu castelo novamente e dando nova cara aos cômodos. Agora ele não terá muros, terá grandes e espaçosas pontes. Não quero mais separar, quero unir. Cansei de dividir lágrimas, quero multiplicar gargalhadas daquelas de doer a barriga.
As unhas, antes longas e vermelhas, agora por um bom tempo ficarão curtas e cruas. Essa cara que já não é minha vou levando até voltar a ser eu (será que algum dia já fui eu?). Meus pés que ainda vacilam porque ainda não sabem para onde devem ir, agora passam um tempo descalços ao sabor da terra.
Ando escolhendo outras músicas, outros gostos e dos gostos pela vida. Tenho mudado palavras de melancolia por frases de amor porque, no final, o amor é a única coisa que importa, nem que seja por si mesmo. Tenho trocado de bocas e de corpos porque ainda não sei em quem me encaixo, daí vou me colando, espremendo e juntando até encontrar e ouvir o click. Tenho querido outras coisas, outras pessoas, outras vidas e das vidas quero extrair mais vida e propagar a vida até que a minha própria se finde.
Quero o amor, quero o mar, o além mar, mas tô só me reconstruindo, devagarzinho, assim, sem pressa. E um dia, um dia eu voltarei a ser eu, em virtude e plenitude, sem limitação. Mas por enquanto, por enquanto ainda é um tijolo de cada vez.
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
A fuga
Perdoe-me por fazer isso assim, de súbito. É que não sei ser de outro jeito quando essa urgência arromba as portas do meu peito e deixa o coração assim, sobressaltado.
Desculpe-me por não ter tido tempo e nem o cuidado necessário para escolher as palavras certas, mas quando dizia que era para você, por você, todas elas fugiram em direção oposta a minha folha em branco, deixando-me aqui, com algumas poucas corajosas.
Queria dar-te o que ninguém nunca deu, mostrar o que ninguém mostrou, ensinar o que nunca foi ensinado mas fico resignado ao fato de que nada disso deverá ser possível. Irei me desculpar mais uma vez por ser tão previsível.
Lamento por tanta incompreensão, é que já não entendo nem a mim, fazer-me crível é procurar forças nos mares mais abissais.
Peço desculpas por chegar assim sem avisar mas eu sempre soube que era você, você sempre desconfiou que era eu. E assim, meio confuso, aqui na última linha fica o que todas as outras palavras ainda não conseguiram dizer: eu te amo.
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She
Ela chegou sobressaltada, correu até o banheiro, tateou a parede à procura do interruptor. Encarou-se no espelho e não reconheceu quem viu. Aquela carcaça, aquele rosto já não era mais dela. Desenhou os contornos do rosto com o indicador. Em qualquer outro dia ela diria que estava feia, gorda ou, na melhor das hipóteses, apresentável. Não que de fato não fosse bonita, mas qualquer um que olhasse mais atentamente poderia jurar que ela esforçava-se demais para não ser.
Abaixou a cabeça e apoiou-se na beirada da pia, lavou o rosto e fitou o espelho novamente. Quem era essa pessoa? Quem era essa mulher que tomara seu corpo? Mulher? Ainda ontem era apenas uma menina com suas bonecas. Menina. Criança. Mulher. Ela não enquadrava-se em nenhuma categoria. Na verdade ela parecia um espírito livre que tomou para si um corpo desavisado. Lavou o rosto com a água gelada da torneira e a deixou aberta, algo ainda precisava ligá-la a realidade.
Cambaleou até o quarto e encarou a própria cama como quem procura algo fora do lugar. Não encontrou. Tirou toda a roupa e jogou-se na cama em fúria e sentimento enquanto desenhava animais e seres imaginários no teto. A luz que adentrava pela janela dava um toque soturno ao ambiente. Ela cobriu-se com o lençol de seda e o frio do tecido se contrapôs ao calor da sua pele. Abraçada a si, ela desejou ser dela novamente, desejou ter controle, poder e fúria. Ela abraçava-se na vã tentativa de voltar a ser quem era e então permitiu-se chorar. Chorou e percebeu: ela não era mais ela, agora só era ela estando nele.
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domingo, 29 de agosto de 2010
Madrugada adentro
Toda madrugada alcançamos a perfeição em toda a sua incompreensão. Ao te conhecer, me pus por um fio, e troquei todas as certezas por um punhado de desvarios. Dei a medir o tempo pelos teus beijos e a contar estrelas pelo brilho dos teus olhos. Pouco a pouco tua vida se tornou a minha e agora meus passos são dados por tuas pernas. Após cada dia desafortunado eu sei que há de vir o anoitecer e então eu poderei voar no teu mar e nadar no teu céu. Brinquei de mal com o mundo e abandonei meu exército perante você. Se juntos somos um e sozinhos apenas almas solitárias, como hei de partir se o meu coração precisa do sangue das tuas veias? A cada entardecer dei pra sonhar e me perder em delírios, romper com o mundo e esperar pelo teu sorriso porque agora, esse sonho é a minha realidade. Toda madrugada te espero porque quando tu vens, apenas você tem o poder para me salvar.
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sábado, 6 de março de 2010
Lembranças
Eu lembro de tudo. Foi intenso, mágico, quase surreal. Posso recordar o brilho dos teus olhos e toda a verdade que insistes em negar com palavras. Elas não nos são mais necessárias pois juntos, cada fibra do nosso corpo se mantém conectada. Palavras são inúteis, mas ainda sim insistimos em usá-las. E em meio ao maior momento de prazer surge, quase que simultaneamente, o balbuciar da mesma frase: "Eu te amo!".
Cada músculo cansado repousa um sobre o outro enquanto você me olha com uma cumplicidade, quase infantil, de quem sabe que fez uma travessura. Olhares trocados, palavras guardadas, tato, suor, pele, saliva, alma. Ah, alma! Quem dera ter mais alma para dar! De alguma forma você conseguiu me libertar da dor e agora, só ao seu lado consigo ser eu mesma.
Em meio a um rompante surge um som incômodo que me faz revirar na cama. Olho pro lado e vejo o vazio, frio e surge um gosto amargo de fel nos lábios. Hoje eu acordei sentindo falta. Eu lembro de tudo. Foi intenso, mágico, quase surreal. Pena que não aconteceu.
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domingo, 17 de janeiro de 2010
No fim do dia
Ao final de cada dia analise tudo o que você fez, tudo o que viveu e idealizou. Você foi atrás do que realmente te faz feliz? Lutou verdadeiramente por isso? Fez tudo o que podia para ver seu sonho fora do papel? Ou se achou fraco demais para merecer algo grandioso e preferiu continuar se sentindo incompleto?
Durante todo seu dia você enfrentou algo que de fato lhe deixasse assustado? Enfrentou seu medo mais mortal de frente? Ou preferiu recuar achando que "hoje não era o seu dia"? Você aproveitou alguma oportunidade irrecusável ou estava tão preocupado com banalidades que a deixou escapar? Ou pior, nem sequer estava preparado para ela?
Já lutou por um ideal? Defendeu uma ideia? Superou algum limite? Analise o dia de hoje e veja quão recompensador ele foi pra você, mas se por acaso você não fez nada disso não tem problema. Se pelo menos uma vez durante o dia você conseguiu fitar os olhos de alguém e, com total sinceridade disse "eu te amo", então meu amigo, o seu dia valeu muito à pena.
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