Mostrando postagens com marcador incertezas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador incertezas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

She

0 ficaram (des) consertados
Ela chegou sobressaltada, correu até o banheiro, tateou a parede à procura do interruptor. Encarou-se no espelho e não reconheceu quem viu. Aquela carcaça, aquele rosto já não era mais dela. Desenhou os contornos do rosto com o indicador. Em qualquer outro dia ela diria que estava feia, gorda ou, na melhor das hipóteses, apresentável. Não que de fato não fosse bonita, mas qualquer um que olhasse mais atentamente poderia jurar que ela esforçava-se demais para não ser.

Abaixou a cabeça e apoiou-se na beirada da pia, lavou o rosto e fitou o espelho novamente. Quem era essa pessoa? Quem era essa mulher que tomara seu corpo? Mulher? Ainda ontem era apenas uma menina com suas bonecas. Menina. Criança. Mulher. Ela não enquadrava-se em nenhuma categoria. Na verdade ela parecia um espírito livre que tomou para si um corpo desavisado. Lavou o rosto com a água gelada da torneira e a deixou aberta, algo ainda precisava ligá-la a realidade.

Cambaleou até o quarto e encarou a própria cama como quem procura algo fora do lugar. Não encontrou. Tirou toda a roupa e jogou-se na cama em fúria e sentimento enquanto desenhava animais e seres imaginários no teto. A luz que adentrava pela janela dava um toque soturno ao ambiente. Ela cobriu-se com o lençol de seda e o frio do tecido se contrapôs ao calor da sua pele. Abraçada a si, ela desejou ser dela novamente, desejou ter controle, poder e fúria. Ela abraçava-se na vã tentativa de voltar a ser quem era e então permitiu-se chorar. Chorou e percebeu: ela não era mais ela, agora só era ela estando nele.


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Vinte e seis de outubro

0 ficaram (des) consertados

Nunca gostei de fazer aniversário e sempre reclamei um pouco disso. Ninguém nunca entendeu, afinal como pode alguém não gostar do próprio aniversário? É, eu não gosto. Com 23, o problema não é o transcorrer dos anos e nem o que fica pra trás com isso. O problema é tudo aquilo que se espera e nunca vem. É o grito mudo que fica entalado na garganta. É esperar exaustivamente pelo que nem se tem mais esperanças.

Sabe, o problema não é o que fica, isso é necessário, eu sei. O problema é tudo o que chega e não sabemos como lidar. Tudo o que chega e as pessoas que chegam. Tenho medo de não saber acolher as pessoas como elas merecem e acabar afastando-as.
Fora isso sabe o que pega? Ninguém nos ensina como é crescer. Não tem cartilha, tutorial ou professor. Ninguém nos diz quando temos que crescer (ou como crescer). Já me falaram que era difícil mas nunca se consegue mensurar de fato. Difícil é pra todos e tenho a impressão de que ninguém na verdade sabe lidar com isso. Crescer dói.

Além disso, além dos anos, das dúvidas, do que fica pra trás e aquilo que chega, nada seria um problema se o grande medo não fosse um só: o de se perder. Porque nessa passagem do tempo, por cada volta que os anos dão, por cada dia que me obriga a crescer mais rápido e de forma assustadora, o que amedronta é a possibilidade de, em alguma curva dessa estrada, eu acabar me perdendo. O medo maior de perder a fé e a inocência que ainda insistem em habitar meu coração, medo de perder esse sorriso bobo acompanhado de um jeito quase infantil. Medo de, por ter que crescer rápido, acabar me tornando alguém que eu não quero ser. Medo de me descobrir uma fraude e, pior, como conseqüência disso, não conseguir mais passar pro papel o que eu sinto. Seria como morrer afogada em minhas próprias palavras. 

Hoje, agora com 23, ainda tenho tudo isso, só não sei até quando. E não sei qual desses “26 de outubro” que ainda estão por vir irá me tirar isso, nem sei se esse medo todo é fundamentado, apenas queria compartilhá-lo, afinal as pessoas também fazer aniversário nos dias 27, 28, 29, 30... e medo todo mundo tem.

E assim, meio sem pretensão alguma termino esse texto, um diálogo torto entre eu e mim. E se alguém chegou até aqui, deixo meu agradecimento à vocês. E até o ano que vem!

“Vivernão é? — é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver mesmo.”  - Guimarães Rosa

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O salto (pt. 2)

0 ficaram (des) consertados
Quis buscar a infinitude dos céus e a plenitude do mar. Saltava rochedos e quebrava grilhões. Tocara a infinitude do ser e todo o esplendor da angústia do sentir. Descobriu na dor o seu maior prazer e no delírio, seu maior alimento. Lutava contra monstros que rangiam dentro da sua cabeça, se guiava pela luz das trevas e pelo som mudo. Calado era e assim estava, já não cabia mais, não se encaixava no existir. Era uma escolha pela vida ou uma opção pela morte.

domingo, 22 de agosto de 2010

E se?

2 ficaram (des) consertados

E se você desistir? Você irá se sentir melhor? Essa dor no seu coração finalmente cessará? Você acha que ficaria mais fácil? Calmo? Seguro? Se nada é do jeito que você quer, não será sua responsabilidade mudar o que não gosta? Será que a força que você procura não está em si mesmo? Será que a dor é tão grande que você realmente não pode suportar? Lá fora do seu quarto tem um mundo, e ele é maravilhoso, mas pode ser muito cruel também. Ele é exigente com todos os seus filhos.

Pare de se esconder debaixo do seu cobertor e tome a vida em suas mãos. Reinvente-se, crie, modifique. Destrua e faça de novo. Tudo igual. Tudo diferente. Depois mude de novo, de novo e de novo. Mude até não restar mais nada. Mude até você mudar de ideia. Mude até de fato a mudança acontecer. Você não é grande, pequeno, forte ou fraco, você é apenas uma pessoa no meio de tantas outras. Pode ser pouco mas acredite, você é mais do que suficiente e pode sim fazer toda a diferença. Apenas acredite - e nunca desista de tentar.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Dúvida

0 ficaram (des) consertados


Será que isso vai dar certo? Eu amo pó e você erva.