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domingo, 17 de junho de 2012

I just don't know...

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Engraçado, se alguém me perguntasse hoje como estou, não saberia responder. É como se na verdade não soubesse o que estou sentindo. Só sinto. Às vezes dói, às vezes liberta, mas nunca passa impune. Olho pela janela que por tantas vezes emoldurou as paisagens da minha vida e hoje vejo um mundo sem cor. Aliás, sem cor não. Uma vida inteira em sépia, que assim como os sentimentos, ficou no passado. E nessa vida presente, não sei como me conjugo, apenas tento conjurar novos -e velhos- fantasmas. As paredes que antes testemunharam a alegria do início, hoje choram uma ausência que nem eu sei se sinto falta. Não sei se faz falta a ausência, o sentimento ou a prepotência. Acho que nada disso faz falta na verdade. Hoje, aqui na janela, diante desse céu azulado em aquarela, sou a soma de duas almas rasgada pela metade. Mas eu não sei dizer como me sinto. I just don't know what to do with myself.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Náufrago

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Meu barco afundou. Transbordei lágrimas e me afoguei em desilusões achando que qualquer encosto era tábua de salvação. Não era. E então resolvi me atirar ao mar novamente e nadei de volta para mim. Encontrei uma ilha deserta e me senti bem. Sacudi minha árvore e deixei os frutos podres caírem. Se restar pelo menos um já ficarei feliz. Se não restar pelo menos ainda terei a mim. Na minha ilha fica quem quer e vai quem sabe nadar, mas não esqueça: se estiver se afogando não venha me pedir ajuda, não tenho pena de ninguém. Você não me conhece!



Caminhos tortos

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Hoje eu acordei bem cedo e fui ver o mar,
sei que tudo tem um tempo pra passar.
Pelo menos é nisso em que
durmo acreditando.

Hoje estou tão cansado de tanto asfalto,
quero tirar as meias e aposentar os sapatos.
Quero correr até que o horizonte
encontre o mar.

Sei que todo o caos há de passar,
só rezo para ter alguém em quem me apoiar.
Leva o pranto e trás contigo
o meu sorriso.

Esse grito cego, pavor abafado,
mesmo isso não faz com que eu perca meu atalho.
Construí meu caminho e nele
vou até o fim.


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Das impossibilidades

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Ando cansada de impossibilidades, das tentativas reais na minha cabeça que, na verdade, não passam de ilusões. Ando cansada de desenhar pessoas perfeitas para mim quando tenho que me contentar com rascunhos mal acabados e sem alma. Enquanto tudo o que eu posso ser é suprimido, retalhado e amordaçado pela realidade, cada parte de mim morre um pouco, devagar e lentamente.

Da impossibilidade do ser, cansei do era, agora quero o será. Quero o futuro no agora porque já não há mais ontem para descrever o que sinto – como sinto? Ando procurando espaço entre as lacunas do ser para achar algo em que possa me segurar, entretanto sobrevivo à beira do abismo balançando-me entre dois trapézios que são sustentados por uma fé quase inexistente de que algo pode mudar. Mas não muda. E enquanto não muda, eu sobrevivo aqui, mergulhada na insustentável leveza do ser. Do era. Sou.


She

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Ela chegou sobressaltada, correu até o banheiro, tateou a parede à procura do interruptor. Encarou-se no espelho e não reconheceu quem viu. Aquela carcaça, aquele rosto já não era mais dela. Desenhou os contornos do rosto com o indicador. Em qualquer outro dia ela diria que estava feia, gorda ou, na melhor das hipóteses, apresentável. Não que de fato não fosse bonita, mas qualquer um que olhasse mais atentamente poderia jurar que ela esforçava-se demais para não ser.

Abaixou a cabeça e apoiou-se na beirada da pia, lavou o rosto e fitou o espelho novamente. Quem era essa pessoa? Quem era essa mulher que tomara seu corpo? Mulher? Ainda ontem era apenas uma menina com suas bonecas. Menina. Criança. Mulher. Ela não enquadrava-se em nenhuma categoria. Na verdade ela parecia um espírito livre que tomou para si um corpo desavisado. Lavou o rosto com a água gelada da torneira e a deixou aberta, algo ainda precisava ligá-la a realidade.

Cambaleou até o quarto e encarou a própria cama como quem procura algo fora do lugar. Não encontrou. Tirou toda a roupa e jogou-se na cama em fúria e sentimento enquanto desenhava animais e seres imaginários no teto. A luz que adentrava pela janela dava um toque soturno ao ambiente. Ela cobriu-se com o lençol de seda e o frio do tecido se contrapôs ao calor da sua pele. Abraçada a si, ela desejou ser dela novamente, desejou ter controle, poder e fúria. Ela abraçava-se na vã tentativa de voltar a ser quem era e então permitiu-se chorar. Chorou e percebeu: ela não era mais ela, agora só era ela estando nele.