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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Love me

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Escrito originalmente no dia 02 de setembro de 2012, às 04:03 da manhã.



Me ame uma, duas, três vezes.

Me ame às quatro da manhã e às duas da tarde com o mesmo ardor.
Me ame até suar, me ame até desidratar.
Me ame forte, veloz ou suave.
Ame mesmo me odiando, só pelo costume de amar; e quando você enjoar, me ame até o pôr do sol ou o nascer do outro dia.
Me ame até faltar amor, me ame até eu não precisar de amor, me ame porque eu sei que a sua vocação é amar.
Me ame até ralar, até sangrar, até gozar.
Goze comigo, ame comigo, seja comigo.
Me ame além de um amigo, até a voz falhar, o coração parar, até tudo na vida acabar.
Me ame cinco, vinte e cinco, quinhentos e vinte e cinco vezes e só então me ame mais e mais, porque é aí que eu vou precisar.
Me ame, me ame até eu acreditar.



sábado, 1 de setembro de 2012

Dos pedidos de socorro que não ouvimos

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Hoje poderia ter sido um daqueles dias que não têm nada de especial – porque não são mesmo – mas como diria Drummond "...no meio do caminho tinha uma pedra..." e eu acho que tacaram ela bem no meio da minha testa. Na verdade foi um dia comum, desses que você toma um café comum, come um almoço banal e vai pra casa num ônibus qualquer. Bem, era esse ônibus que eu estava esperando quando recebi a tal pedrada.

Enquanto eu esperava o ônibus num ponto mais vazio do que ele costumava ser, passando mais frio do que costumava passar, eu devaneava enquanto ouvia música no iPod e observava carros, motos e outros ônibus passarem apressados como se estivessem atrasados para o chá com a rainha. Enquanto divagava alguém se aproximou e, sem encostar em mim, fez menção de que queria dizer alguma coisa (ou melhor, já estava dizendo). Dei um passo por puro reflexo – me afastando do interlocutor – e tirei os fones de ouvido para tentar entender o que ele dizia. Parecia pedir algo e eu, num gesto automático, fiz um sinal em negativa com a cabeça. O homem emudeceu e foi embora.

Eu continuei parada do jeito que estava e foquei minha atenção novamente nos carros, motos e ônibus que passavam. Quando coloquei os fones no ouvido novamente, demorei alguns segundos para entender o que tocava, mas depois percebi que era o final de Gente Humilde, do Chico Buarque.

"...E aí me dá uma tristeza
no meu peito
feito um despeito
de eu não ter como lutar.
E eu que não creio
peço a Deus por minha gente,
é gente humilde
que vontade de chorar."

Depois disso eu fui atingida como um raio pela última frase que o homem disse (e que eu ouvi parcialmente por culpa da falta de atenção). Foi algo como "...comida...eu sou do Maranhão... estou quase desmaiando de fome". Ele disse isso mesmo? Como que eu não dei atenção?!? Olhei para trás e vi que ele conversava com duas mulheres que tentavam chegar até o ponto onde eu estava. O examinei cuidadosamente e, mesmo estando a uma certa distância, ele aparentava estar muito cansado. Andava cambaleando e carregava uma caixa de papelão sob os ombros, mas parecia carregar muito mais. Mais do que uma caixa, parecia que ele carregava o mundo – o seu mundo – que já estava ficando pesado demais pra ele.

Com cada pessoa que abordava ele olhava para o chão, como se estivesse pedindo desculpas por dirigir a palavra e interromper um momento importante de puro nadismo. Eu o vi se afastar trôpego e, num impulso, revirei a mochila catando minha carteira e saí correndo atrás do homem. Esperei ele terminar de conversar com um outro homem, que também não lhe deu atenção e então o chamei. Eu tive involuntariamente a mesma atitude que ele e encarei o chão quando vi que ele me olhava. Quando nossos olhos se cruzaram eu notei que além de fome ele carregava uma tristeza profunda, quase um abismo. Tive vontade de dar um abraço nele, mas só conseguir dizer "desculpa... boa sorte" e pelo tom que empreguei nem ao menos sei se ele me ouviu. Dei um aperto de mão e de forma discreta entreguei uma nota, o suficiente para que ele pudesse fazer uma ou duas refeições descentes. Depois disso eu dei as costas e fui embora. Não fiquei para ouvir o agradecimento e nem queria que ninguém no ponto de ônibus tivesse ouvido o nosso curtíssimo (quase) diálogo. Fiz o caminho de volta ao meu ponto inicial de cabeça baixa, olhando para o chão – assim como ele estava anteriormente – e me senti imensamente culpada por não ter dado atenção a ele inicialmente. Hoje eu fui pra casa pedindo desculpas a Deus por todos os pedidos de socorro que eu não dei atenção. Todas as pessoas que precisavam de ajuda desesperadamente e eu, displicentemente, divagava prestando atenção em aleatoriedades.

O mais triste é pensar quantas vezes ignoramos quem está ao nosso lado gritando por ajuda. É uma pena que a música do mundo esteja tão alta que não consigamos ouvir nem quem está ao nosso lado. Uma pena...



Você não é

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Você não é o seu trabalho. Você não é o que estudou. Você não é o que lê, nem muito menos o que ouve. Acha de verdade que é o que come? Tão pouco?! Você não é um problema, nem muito menos uma solução. Você não é step, mas também não é oficial. Você não é a sua personalidade ou seus pertences. Esqueça a sua casa ou o seu carro, nada disso é você de verdade. Você não é. Porque você não é uma coisa, um sentimento, uma frase ou um contracheque. Você não é. Nem se juntar todo o sentimento de revolta, ira e raiva contra o mundo. Você não é. Um punhado de boas ações e alguma dose de altruísmo? Também não é. Você não é, você está, e estando, é transitório, nada disso é seu. Você está no seu trabalho. você está estudando alguma coisa. Você está com um problema, ou você está com a solução. Você não é nada disso, você está. Você não é.


domingo, 17 de junho de 2012

I just don't know...

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Engraçado, se alguém me perguntasse hoje como estou, não saberia responder. É como se na verdade não soubesse o que estou sentindo. Só sinto. Às vezes dói, às vezes liberta, mas nunca passa impune. Olho pela janela que por tantas vezes emoldurou as paisagens da minha vida e hoje vejo um mundo sem cor. Aliás, sem cor não. Uma vida inteira em sépia, que assim como os sentimentos, ficou no passado. E nessa vida presente, não sei como me conjugo, apenas tento conjurar novos -e velhos- fantasmas. As paredes que antes testemunharam a alegria do início, hoje choram uma ausência que nem eu sei se sinto falta. Não sei se faz falta a ausência, o sentimento ou a prepotência. Acho que nada disso faz falta na verdade. Hoje, aqui na janela, diante desse céu azulado em aquarela, sou a soma de duas almas rasgada pela metade. Mas eu não sei dizer como me sinto. I just don't know what to do with myself.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Pretérito

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Eu estive confrontando o fim, mas no fim não achei nada daquilo que todo mundo falava. Não achei nem quente, nem frio. Achei morno. Aquele calor de quando se está quase lá, mas ainda não se chegou a parte alguma. Esse deveria ser o melhor dos lugares, uma ponte entre o passado e o futuro, o Campos Elísios dentro do submundo que o teu coração se tornou. E não só o teu. Todos os corações se apagam vez ou outra. Essa é uma das graças da vida. Andar na rua dá a sensação de que todos os dias é Natal. Todo mundo passeando com seus corações ora incandescentes, ora opacos. E a vida ganha um pouco mais de cor e sombra.

Agora estou aqui, frente a frente com o fim e não sei o que dizer a ele. Não o vejo mau, o vejo como uma porta, como tantas outras portas que vão dar em algum lugar desconhecido. Seria normal, até bonito, se não doesse - mas se não doesse, não seria normal. Porque não é normal abrirem teu peito e arrancarem teu coração fora sem dor. Não é normal a apatia do papel pardo amassado jogado num canto do quarto escuro e vazio de alma.

Só sei que estou aqui, olhando para essa porta como quem atira uma taça na parede e, inutilmente, tenta parar o tempo até o instante em que ela estava inteira. Cada dia meu coração será apenas parte de um todo que nunca voltará a ser inteiro, porque ele tinha você e hoje só restou saudade. De você, de mim, de nós. Era.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Penumbra da noite

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Mais uma noite e estou aqui, acordado, ouvindo músicas aleatórias, sob a penumbra dos meus próprios pensamentos iluminados apenas pela luz no computador. O cigarro está no mesmo lugar, meio aceso, meio apagado. Indefectível. O uísque, meio quente, meio aguado, me faz questionar o que estou fazendo aqui. Jogado nessa poltrona, ao léu, sinto o conforto dos mendigos que servem de morada aos ratos. Talvez eu também seja um rato. Ou um mendigo. Pior, eu sou eu, e nem os ratos escolhem perambular perto de mim. A janela emoldura uma Lua tão linda que, se eu fosse dotado de algum sentimento, talvez pudesse notá-la. Nada é tão real quanto antes, o abstrato tornou-se a minha verdade. E a verdade? Obsoleta. Cada linha que escrevo me sinto mais longe do fim e talvez seja assim mesmo. Hoje vivo porque morro a cada linha, ou evito a morte a cada linha e por isso vivo? Não sei, talvez fosse melhor se eu sentisse, mas essa pedra que guardo no peito não consegue amar nada além de ti. Muito além de mim. Fim.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A orkutização somos nozes

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Falar em orkutização é falar mais do mesmo, é chover no molhado, é falar que "o mar derreteu e toda a Terra mudou de configuração" (???). Há alguns dias eu saí pra almoçar e quando voltei metade no mundo estava revoltado por um único motivo: a liberação do Instagram para o Android. Tem milhares de pontos que me incomodam nessa história toda, check it out.


1) A elitização/popularização de um app

É sempre assim! Música, artista, cultura inútil ou... app. Se você é fã, vai defender com unhas e dentes, mas depois que o troço ganha visibilidade você começa a chamar de vendido, reclama que estragaram seu brinquedinho e fica de #mimimi. Você já consegue fazer o seu Toddynho sozinho?




2) Fenômeno da classe C

Todo mundo já ouviu falar em algum lugar que a classe C tá crescendo, se expandindo e "tomando pra si" espaços que antes nem ousaria botar o pé. É mais fácil frear um trem desgovernado com um palito de dente e um Bubbalo do que parar isso. Se ela está se expandindo, nada mais natural que esteja presente nas "manifestações internéticas" da vida (adoro neologismos, beijos).




3) Orkutização

Eu acho esse termo extremamente preconceituoso, mas como faz parte do contexto, está aqui. Na verdade, isso está mais ligado à classe social do que a ação em si. Quer um comparativo? Ninguém reclama do cara que posta foto na balada, no carro importado com cerveja cara, mas vai alguém postar foto do churrascão na laje com piscina de plástico... xiiiiii. Confusão na certa. O cara da laje tem menos direito de compartilhar seus momentos de diversão? Por quê?




O que talvez seja esquecido é que estamos falando de pessoas, e pouco importa a ferramenta utilizada. Pode ser no Facebook, no Twitter, no Instagram ou numa rede completamente segmentada, não importa, isso é apenas o meio, não o fim. Pra você a orkutização é culpa das pessoas? Eu acho a mesma coisa. Só as pessoas têm o poder de modificar tão intensamente o lugar em que estão inseridas. O que está acontecendo é que a orkutização ~samba na cara da sociedade~ e mostra aquilo que no off, todo mundo quer esconder. Ninguém leva o gringo pro churrascão na laje. Ninguém leva o gringo pro mercadão de Madureira. Você passa por um mendigo e poderia dar uma moeda pra ele, poderia dar comida, mas a maioria prefere virar a cara ou apertar o passo com medo de ser assaltado. Na internet é a mesma coisa. Ninguém quer ver coisa "feia", mas aquilo é a realidade daquelas pessoas, elas não podem compartilhar o que não têm.

A orkutização é mais do que um bando de gente postando correntes nas suas redes sociais preferidas, é mais do que um bando de gente que "devia ter ficado no Orkut". É uma classe social inteira ganhando voz, sendo inserida na sociedade e produzindo coisas pertinentes à sua realidade. Eles não estão nas novelas, eles não são Garotas de Ipanema e nem personagens de novela que moram no Leblon. 

A orkutização vai além do Orkut e transcende esse birra. Uma ferramenta sozinha é só mais uma; uma ferramente nas mãos da (s) pessoa (s) certa (s), isso sim pode fazer a diferença. O que é ignorado no off, é escancarado no on, por isso incomoda tanto. Incomoda gente escrevendo errado, mas como escrever certo quando as escolas não têm professores? É fácil falar tendo estudado em escolar caras, faculdades de renome e morando na Zona Sul. No final, o que me incomoda não é a orkutização da redes sociais, é a idiotização da sociedade.



Lago estrelado

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Sua vida será tão boa quanto você acreditar que ela pode ser.
Seu coração será tão grande quanto a sua capacidade de amar.
Sua humildade é do tamanho da sua capacidade de admitir seus erros.
Seu sucesso será igual a sua vontade de fazer melhor.

No fim, você recebe aquilo que cativa. Não deixe que ninguém te engane; só lute por aquilo em que você acredita. Às vezes, para contemplar melhor o céu, é preciso olhar para o chão.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Náufrago

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Meu barco afundou. Transbordei lágrimas e me afoguei em desilusões achando que qualquer encosto era tábua de salvação. Não era. E então resolvi me atirar ao mar novamente e nadei de volta para mim. Encontrei uma ilha deserta e me senti bem. Sacudi minha árvore e deixei os frutos podres caírem. Se restar pelo menos um já ficarei feliz. Se não restar pelo menos ainda terei a mim. Na minha ilha fica quem quer e vai quem sabe nadar, mas não esqueça: se estiver se afogando não venha me pedir ajuda, não tenho pena de ninguém. Você não me conhece!



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Contratempos

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Ela vai esperar uma centena de anos até ter certeza do que está sentindo.
Ela vai pedir todas as provas antes de ter certeza que é sincero.
Ela vai dizer milhares de "nãos" quando, na verdade, morre de vontade de se jogar no "sim".
Ela vai fazer milhares de promessas antes de fazer um juramento.

E todas as dezenas de cartas serão rasgadas antes que tenham um destinatário.
E uma alcateia irá protegê-la do mundo antes que possa acreditar em si.
E mesmo por trás de cada sorriso, ela esconde uma lágrima.
E antes que fosse verdade, era só vontade.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Daltonismo, um balão e uma porta

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Sem nada pra fazer numa noite quente de fim de ano (mais precisamente no dia 31 de dezembro) eu resolvi caminhar e acabei parando na praia. Andei alguns metros, peguei um refrigerante e ouvi uma voz ao pé do meu ouvido.

– Como uma garota tão linda está sozinha no Ano Novo?

Eu me virei num reflexo e derrubei o refrigerante na camisa do desconhecido.

– Errr... é... desculpa, você me assustou!– Tudo bem, não tem problema. Pelo menos agora você vai se sentir culpada e vai me dar um pouco de atenção.
Levantei o sobrancelha e o olhei rapidamente. Analisei desde a camisa branca molhada pelo refrigerante até as Havaianas e sim, ele merecia toda a minha atenção. Sorri um pouco sem graça, em parte porque eu realmente estava sem graça por ter sido tão desastrada e em parte porque estava com medo que ele ouvisse os pensamentos que começavam a surgir na minha cabeça.


– Você realmente está sozinha? – ele perguntava ainda incrédulo.
– Sim.
– Que tipo de pessoa passa o Ano Novo sozinha?
– O tipo de pessoa que não quer passar a Ano Novo ao lado de quem ela conhece.
– Que ótimo, então nada impede que você passe com quem não conhece, certo?
– Sim. Eu acho.
– Então vem, vou te apresentar algumas pessoas.

Ele me puxou pela mão e me levou até uma parte privada da praia.

– Coloca isso no pulso.
– Oi? – mais uma vez estava perdida em pensamentos. Ele me estendeu uma pulseira verde neon com um identificação. Eu fiz um sinal negativo com a cabeça mas ele insistiu. Acabei cedendo. Andamos um pouco mais e ele encontrou um grupo de amigos.

– Ei cara, onde você tava? Putz, o que aconteceu com a sua camisa?
– Foi culpa dela. – ele apontou pra mim com uma cara de bravo e depois sorriu com o meu espanto. – Foi culpa dela mas hoje ela é minha convidada então quero que vocês a tratem muito bem. 

Um “ok” foi ouvido em uníssono mas quando ele ia me apresentar aos amigos percebeu um pequeno detalhe e começou a rir.

– Desculpa, mas do que você tá rindo?
– Eu ia te apresentar aos meus amigos mas percebi que nós não nos apresentamos ainda.
– Hm... verdade. Meu nome é Suéllem.
– Muito prazer Sue, meu nome é Frank. – ele me disse se aproximando, pegando na minha cintura e dando um beijo demorado na minha bochecha. – Nossa, você tem um perfume incrível! – ele sussurrou perto do meu ouvido e, se ele não estivesse me segurando juro que provavelmente eu teria caído.
– É melhor você tirar essa camisa cara! – uma voz na multidão fez a sugestão que foi acatada por ele. Frank tirou a camisa destruída por mim e instantaneamente eu comecei a suar e ele, ao perceber a reação, ficou feliz por tê-la provocado.

Ele era um cara incrível, lindo, simpático, tinha saído melhor do que encomenda numa noite incerta de um Ano Novo que tinha tudo para ser no mínimo estranho. Começamos a conversar sobre temas aleatórios até que, sem motivo algum começamos a debater sobre a cor de um objeto (talvez um balão, não lembro ao certo) que estava ao longe.

– É laranja!
– Laranja? Aquilo é rosa!
– Rosa? Você tá doida né? Só pode ser laranja.
– Agora eu tô vendo vermelho!
– Daqui a pouco vai falar que é verde com listras azuis! – ele gargalhou, me abraçou e fez eu me derreter ainda mais.
– É, eu devo tá meio daltônica. – respondi resignada de que nunca conseguiria descobrir a cor daquele estranho objeto, ainda dentro do abraço.

Ele sorriu e cochichou pro amigo do lado “ela deve tá excitada, daltônica num é isso?”. Eu enterrei o rosto no peito dele e não sabia se chorava ou se caía na gargalhada. Depois de um tempo (e ainda na praia), quando o dia amanheceu eu disse que tinha que ir pra casa.

– Eu te levo!
– Não precisa, obrigada.
– Eu insisto! Me dá o seu telefone também.
– Faz o seguinte: joga daltonismo no Google e quando você achar a resposta me liga, ok?

Ele me olhava sem entender enquanto eu dava as costas e ia pra casa rindo de mim mesma e da situação. Acho que eu devia estar daltônica mesmo. Nos dois sentidos. Bem, pelo menos a noite foi muito bem aproveitada. Mas era burro como uma porta.

sábado, 30 de outubro de 2010

Hope

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Continua vivendo
de tolas fantasias.
Continua a imaginar
seu sonho, fiel realidade.

Continua se iludindo
pobre criança,
tentando transformar
tanta esperança, em verdade.