Eu me alimento do efêmero, do fulgaz, do devir. Eu transbordo o vazio e encho-o de reais alucinações. Eu invoco o nada, transpiro o futuro e expurgo o passado. Em minhas retinas vê-se a avidez do que ainda está por vir.
Eu sou minha melhor companhia, meu melhor anjo e o meu próprio algoz. São meus passos que encontro ao lado dos meus. É o meu toque que encontro quando me abraço. Quando vou, o que resta e o que se vai é a mesma saudade em mim. Quando sou não é para ser, é para ter. Quando vou carrego o pesar de quem nunca gostaria de ter ido. Quando tenho, tu tens. Quando sou, tu és. Quando vou, tu vais. Enquanto eu morro, tu renasces.


