sábado, 6 de março de 2010

Lembranças

7 ficaram (des) consertados
Eu lembro de tudo. Foi intenso, mágico, quase surreal. Posso recordar o brilho dos teus olhos e toda a verdade que insistes em negar com palavras. Elas não nos são mais necessárias pois juntos, cada fibra do nosso corpo se mantém conectada. Palavras são inúteis, mas ainda sim insistimos em usá-las. E em meio ao maior momento de prazer surge, quase que simultaneamente, o balbuciar da mesma frase: "Eu te amo!".

Cada músculo cansado repousa um sobre o outro enquanto você me olha com uma cumplicidade, quase infantil, de quem sabe que fez uma travessura. Olhares trocados, palavras guardadas, tato, suor, pele, saliva, alma. Ah, alma! Quem dera ter mais alma para dar! De alguma forma você conseguiu me libertar da dor e agora, só ao seu lado consigo ser eu mesma.

Em meio a um rompante surge um som incômodo que me faz revirar na cama. Olho pro lado e vejo o vazio, frio e surge um gosto amargo de fel nos lábios. Hoje eu acordei sentindo falta. Eu lembro de tudo. Foi intenso, mágico, quase surreal. Pena que não aconteceu.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Vida

5 ficaram (des) consertados

Todo dia eu espero por um abraço, uma mão amiga ou um apoio.
Todo dia antes de dormir olho um pouco para a porta e para a janela do meu quarto.
Para a porta esperando alguém entrar, para a janela desejando sair.
Não há maior tortura do que viver esperando por algo que nunca se teve, aguardar o desconhecido.
Não há nada mais desesperador do que sua vida estar "em modo de espera", apenas aguardando alguém apertar o play.
Todo dia é a mesma coisa.
Espero pelo apoio que nunca recebo, a ligação que nunca atendi, as flores que nunca ganhei, as discussões que nunca tive.
Quero ansiosamente sentir o que nunca senti, sofrer o que eu nunca sofri, amar o que eu nunca amei.
Viver.

O guerreiro e a armadura

3 ficaram (des) consertados
Cada lágrima que nos recusamos a derramar sempre volta. Sempre. Cada dor que insistimos em abstrair acaba ganhando cada vez mais força. Somos moldados a não acreditar no mundo e a esperar sempre o pior das pessoas. Crescemos ouvindo as trombetas da glória eterna ressoarem e os anjos entoarem os mesmos cânticos: "pessoas fortes não choram, não tenha sentimentos, isso só te torna fraco!". Os sentimentos nos tornam fracos mas nos transformam em humanos.

Algumas pessoas a cada manhã sobem num pedestal e se revestem com a armadura do ouro mais reluzente que puderem encontrar. No fim do dia entretanto, esquecem de se despir da fortaleza e recuperar a humanidade. Desaprendem a chorar, perdem a capacidade de pedir ajuda. São criados para serem soldados de infantaria: bravos, fortes, auto-suficientes. E no fim no dia, no fim da batalha, quando repousarem em seu leito, só restará o ouro da armadura porque a alma, a real essência foi perdida há tempos.