segunda-feira, 11 de junho de 2012

Os desajustados

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Sempre têm os desajustados, os ditos errados. Aqueles que se movem tão rápido que é quase impossível acompanhar. Os que riem alto e falam baixo porque não precisam chamar atenção, simplesmente são o que são e não se envergonham disso. Eles não se preocupam com o destino, estão é curtindo a viagem. E são esses mesmos, esses que parecem não se enquadrar. São peças redondas que o mundo insiste em querer encaixar nos espaços quadrados. Mas eles não se dobram e saem por aí tirando coisas -e pessoas- dos seus lugares. São sempre aqueles que têm um ponto de vista completamente diferente do nosso. Eles parecem chacoalhar a vida e só estão satisfeitos no caos - das ideias. Mexem, quebram e constroem algo no lugar que ninguém jamais pensou em fazer (ou ficou com preguiça). Fazem e fazem melhor, mais fácil, mais simples.

Quando você encontra com um deles, é bem fácil de identificar. Enquanto o verbo do mundo é ter, eles querem fazer e não se importam de fazer tudo ao mesmo tempo, afinal é assim que ficam mais felizes. Querem tudo pra ontem, latejam uma urgência que só o impossível pode alcançar. Mas eles alcançam e sempre conseguem ir um pouquinho mais longe.

São os bobos, os loucos, os artistas, os aventureiros, os rebeldes. São todos aqueles que perceberam que a vida só tem sentido quando vista sob uma nova perspectiva. Eles valorizam pequenas coisas e são capazes de sorrir com a mesma intensidade em um pôr-do-sol ou em uma chuva forte. São os insanos, os desprogramados, os inquietos. São aqueles que na verdade, só sabem fazer uma coisa: amar.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Na esquina

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- Bom dia! Pra onde a senhora tá indo?
- Bom dia. Bem, eu não sei.
- Como assim?
- Como não sabendo.
- Ainda não entendi. Então pra onde levo a senhora?
- Tanto faz.
- Hã? Mas a senhora precisa de um rumo.
- Quem disse?
- Todos precisam.
- Quem disse?
- Mas não dá pra viver assim!
- Pra mim anda funcionando bem.
- Desculpa, mas como posso deixar a senhora em lugar nenhum?
- Não sei, o motorista é o senhor.
- Mas a senhora precisa saber pra onde vai.
- E qual seria a graça?
- Bem... a de se saber pra onde se vai?

Ela gargalhou e tirou o iPod do bolso. Colocou os fones no ouvido e, como quem lembra de apagar a luz de casa antes de sair, disse:

- Quer saber, mudei de ideia. Pode me deixar na esquina.
- De qual rua?
- Da vida. De lá eu vou a pé.


Penumbra da noite

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Mais uma noite e estou aqui, acordado, ouvindo músicas aleatórias, sob a penumbra dos meus próprios pensamentos iluminados apenas pela luz no computador. O cigarro está no mesmo lugar, meio aceso, meio apagado. Indefectível. O uísque, meio quente, meio aguado, me faz questionar o que estou fazendo aqui. Jogado nessa poltrona, ao léu, sinto o conforto dos mendigos que servem de morada aos ratos. Talvez eu também seja um rato. Ou um mendigo. Pior, eu sou eu, e nem os ratos escolhem perambular perto de mim. A janela emoldura uma Lua tão linda que, se eu fosse dotado de algum sentimento, talvez pudesse notá-la. Nada é tão real quanto antes, o abstrato tornou-se a minha verdade. E a verdade? Obsoleta. Cada linha que escrevo me sinto mais longe do fim e talvez seja assim mesmo. Hoje vivo porque morro a cada linha, ou evito a morte a cada linha e por isso vivo? Não sei, talvez fosse melhor se eu sentisse, mas essa pedra que guardo no peito não consegue amar nada além de ti. Muito além de mim. Fim.