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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Os desajustados

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Sempre têm os desajustados, os ditos errados. Aqueles que se movem tão rápido que é quase impossível acompanhar. Os que riem alto e falam baixo porque não precisam chamar atenção, simplesmente são o que são e não se envergonham disso. Eles não se preocupam com o destino, estão é curtindo a viagem. E são esses mesmos, esses que parecem não se enquadrar. São peças redondas que o mundo insiste em querer encaixar nos espaços quadrados. Mas eles não se dobram e saem por aí tirando coisas -e pessoas- dos seus lugares. São sempre aqueles que têm um ponto de vista completamente diferente do nosso. Eles parecem chacoalhar a vida e só estão satisfeitos no caos - das ideias. Mexem, quebram e constroem algo no lugar que ninguém jamais pensou em fazer (ou ficou com preguiça). Fazem e fazem melhor, mais fácil, mais simples.

Quando você encontra com um deles, é bem fácil de identificar. Enquanto o verbo do mundo é ter, eles querem fazer e não se importam de fazer tudo ao mesmo tempo, afinal é assim que ficam mais felizes. Querem tudo pra ontem, latejam uma urgência que só o impossível pode alcançar. Mas eles alcançam e sempre conseguem ir um pouquinho mais longe.

São os bobos, os loucos, os artistas, os aventureiros, os rebeldes. São todos aqueles que perceberam que a vida só tem sentido quando vista sob uma nova perspectiva. Eles valorizam pequenas coisas e são capazes de sorrir com a mesma intensidade em um pôr-do-sol ou em uma chuva forte. São os insanos, os desprogramados, os inquietos. São aqueles que na verdade, só sabem fazer uma coisa: amar.


sábado, 23 de janeiro de 2010

Homens não choram

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Estava chovendo mais do que João jamais tivesse visto na vida e, de certa forma, ele sabia que era por sua causa. Por apenas um momento ele sentiu que a natureza estava sendo cúmplice da sua dor. Talvez cada gota de chuva que rolava pelo asfalto fosse na verdade uma lágrima escondida no coração do garoto que cresceu para ser forte. Mas o que era ser forte? João sequer detinha controle da sua vida, quem dirá de seus sentimentos. Cresceu ouvindo seu pai fazendo planos para um futuro grandioso e repetindo sempre as mesmas frases: "Filho, homens não choram", "Não seja um fraco que se deixa levar por qualquer coisa", "Passe por cima de quem for para conseguir o que quer". João não sabia o que nada daquilo significava e agora, pela primeira vez sem ter seu pai para lhe dizer o que fazer, também não sabia o que sentir. Apenas tinha certeza de uma coisa: Homens não choram. Mas hoje, cada gota de chuva que rolava no asfalto parecia uma lágrima. E talvez realmente fosse.